domingo, 26 de setembro de 2010

A Virada Cultural de Porto Alegre

Porto Alegre está ganhando uma Virada Cultural de consistência. Realizada em comemoração aos 20 anos da Casa de Cultura Mario Quintana, os inúmeros espaços da casa abrigaram diversas atrações simultâneas, que envolviam teatro, dança, música, cinema, literatura, artes plásticas, fotografia.

Domus Estúdio de Dança
Foto: Divulgação

Estive lá na sexta-feira, das 20 horas às 03 horas da madrugada de sábado. A quantidade de pessoas me surpreendeu. Atraídos pela festa Balonê, que teve início às 02 horas, muitos jovens chegaram mais cedo e aproveitaram as atrações da Virada Cultural. A preferência foi pelas atrações mais populares, como grupos de samba e peças de teatro humorístico, mas as exposições, o clube do livro de Shakeaspeare e o monólogo inspirado em Álvaro de Campos, por exemplo, também contaram com bom público. No sábado, a Virada Cultural ofereceu também atrações voltadas para o público infantil, ótimo incentivo para que as crianças se familiazirem com a cultura e a arte desde pequenas.

Já estava na hora de Porto Alegre ter sua própria Virada Cultural. A cidade, que sedia a maior feira do livro da América Latina e possui diversos centros culturais e museus (como o MARGS, o Iberê Camargo, a própria Casa de Cultura Mario Quintana e o Santander Cultural), precisa da Virada Cultural como um meio de incentivo e de aproximação do público com a cultura.

A cobertura da imprensa poderia ter sido melhor, mas em se tratando de um evento praticamente novo em Porto Alegre, é compreensível. Agora, espera-se que a Virada Cultural da Casa de Cultura Mario Quintana seja anual e vire tradição, atraindo cada vez mais público e interesse de patrocinadores, artistas e imprensa. No seu aniversário de 20 anos, a Casa de Cultura Mario Quintana é quem dá um presente a Porto Alegre.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Moda e Sociedade nos Anos 50

Estou novamente apaixonada pelos anos 50. Talvez seja pela coleção Fall/Winter 2011 da Louis Vuitton, que anda aparecendo mais leve em alguns desfiles de NY, como o da Karen Walker, por exemplo.

Na verdade, a feminilidade dessa década sempre me encantou, com as saias rodadas e tudo o mais. Mas isso não me impede de ver que a década de 50 estava longe de ser perfeita, visto que as mulheres possuíam direitos bem diferentes que os dos homens e tinham o dever de cuidar da casa e dos filhos, não tinham sua própria profissão. E esse não era o único problema da sociedade da época. Tendo como exemplo a sociedade americana, podemos citar a discriminação racial como um dos problemas mais graves.

Mas foi nesse mesmo país que as coisas começaram a mudar, principalmente através dos jovens, que começaram a sentir a necessidade de questionar o sistema social vigente.

Essa história continua na década de 60, em outro post. Mas deixo pra vocês uma reportagem que eu fiz pro programa Caderno 2 (da UNITV, uma emissora aqui de Porto Alegre) sobre a moda e a sociedade dos anos 50.


segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Artigo: As semanas de moda e os festivais de cinema


Estive em Gramado na última semana para cobrir o Festival de Cinema e não pude deixar de notar algumas comparações entre os festivais de cinema e as semanas de moda.

O fato que me chamou mais atenção é que festivais de cinema também lançam tendências. Ou pelo menos o Festival de Gramado lança. Se na SPFW, por exemplo, vimos roupas leves, cores claras e muito floral, Gramado mostrou filmes com cenas longas e poucos diálogos. Em vez do minimalismo ou do militarismo, que são tendências recentes no mundo da moda, o festival de Gramado deu destaque a temas como o espiritismo e os diferentes países da América Latina.

Pensando em cada filme individualmente e em seus diretores também dá para notar fatos interessantes. Nesse ano, por exemplo, o diretor revelação foi Jeferson De, que a gente pode comparar com Lucas Nascimento ou Melk Z-Da. Os grandes cineastas como Syvio Back e Geraldo Sarno surpreenderam, assim como Hussein Chalayan em sua fase minimalista. E tivemos também filmes que emocionaram imensamente o público e a crítica, como Mi Vida con Carlos, de German Berger, que podemos comparar (respeitando-se as proporções) com a Neon, por exemplo.

Ao contrário do que muitos pensam, há muitas semelhanças entre a crítica de cinema e a crítica de moda. Ambas avaliam o objeto não apenas no seu conjunto de características (como trilha sonora, iluminação, enredo, etc.) como também na sua relação com o contexto social. Isso sem falar no que esses dois tipos de evento tem em comum quanto à organização, turismo, economia, marketing, etc.

Mas, ao meu ver, as semanas de moda poderiam aprender muito com os festivais de cinema. Está certo que moda e cinema são duas coisas muito diferentes. O cinema traz reflexão, subjetividade, emoção, estranhamento, através de diferentes linguagens. A moda é, a princípio, só a moda. Apesar da grande qualidade e talento dos estilistas, são poucos os desfiles que conseguem o algo-a-mais e a profundidade que o cinema alcança. Não quero desmerecer a moda, ainda acho que os desfiles, em conjunto, são um ótimo panorama do que acontece no mundo, mas eu precisava fazer essa ressalva para prosseguir.

O que a moda precisa aprender com o cinema é que, se ela quer ser levada mais a sério, precisa dar mais espaço para o autoral. Precisamos investir em estilistas de talento que tenham algo para acrescentar, que não tenham como pensamento principal o dinheiro (isso é muito importante para a moda, eu sei), mas que procurem desenvolver seu talento sem medo e sem limitações. Também acho que é preciso investir mais nas semanas como conjunto, é preciso que os desfiles dialoguem entre si, construindo assim uma visão crítica da moda do momento. Uma boa maneira de se fazer isso é através de debates, coisa que o festival de cinema de Gramado realiza e que nos faz pensar, através de diferentes pontos-de-vista, não só nos filmes em si, mas também no mundo.

Infelizmente, o objetivo principal da moda é e sempre será ganhar dinheiro. Talvez seja preciso uma semana de moda alternativa para que mudanças ocorram, talvez ninguém tenha interesse em investir em um evento desse tipo quando se fala de moda. Mas se a moda brasileira deseja crescer, ela precisa parar de copiar as fórmulas de Paris, NY ou Milão e precisa olhar para outras alternativas, outras inspirações, que talvez venham de dentro do próprio país.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

OFF: 2001 - Uma Odisséia no Espaço

(Antes de mais nada, quero deixar claro que as afirmações emitidas aqui são apenas minhas opiniões. Me dou o direito de usar superlativos para descrever algumas características desse filme. Asseguro que o uso deles é necessário.)




Quem me conhece sabe que eu acho o filme "2001: Uma Odisséia no Espaço (vou chamar de 2001 para ficar mais fácil) a obra artística mais genial de todos os tempos. Esta é uma obra que transcende a perfeição. Recomendo a todos (principalmente a quem se interessa por cinema), porque é uma experiência única, inigualável. Primeiramente, eu preciso ressaltar a data de lançamento de 2001: foi em 1968, um ano emblemático. Além disso, também preciso lembrá-los que 2001 tem como diretor ninguém menos que Stanley Kubrick, responsável por clássicos como Dr. Fantástico e Laranja Mecânica. Porém, nenhuma outra obra de Kubrick e - atrevo-me a dizer - de qualquer outro autor conseguiu alcançar a genialidade de 2001.

Devo alertar também que nem todo mundo possui a mesma opinião que eu a respeito desse filme. Para alguns ele é horrível. Quando se trata de 2001, a nota é 8 ou 80 (quer dizer, 8 ou 1000). A maioria das opiniões negativas se dá devido ao ritmo do filme: cenas muito longas, pouquíssimos diálogos e quase nenhuma explicação. Meu conselho é que esse filme deve ser visto em um dia de paciência e de muita concentração.

O filme é praticamente dividido em 3 partes. Começa antes do surgimento do homem, mais precisamente tendo uma espécie de primata como protagonista. Após o misterioso aparecimento de um monolito negro, mudanças significativas ocorrem, e somos levados, através de uma belíssima transição, para o futuro. Um futuro onde o homem possui gigantescas naves espaciais e começa a explorar outros planetas e corpos celestes. Neste contexto, algo é achado na Lua - uma suposta prova de que existe vida fora da Terra. A partir daí, eu não vou contar mais nada e a terceira parte fica como surpresa.

Essa sinopse aparentemente simples e meio sem sentido não é nada perto do filme em si. Apesar de ser um filme de ficção científica, 2001 apresenta inúmeros questionamentos, desde o surgimento e a evolução do homem, passando pelo relacionamento entre homem e máquina até chegar na questão metafísica do papel do homem no mundo, entre outros. Os questionamentos, porém, ficam em aberto, cabendo ao espectador atribuir suas próprias interpretações. Porém, algumas interpretações já discutidas são dadas como as mais prováveis. Recomendo que quem não tenha entendido o filme (e isso é muito provável) procure algumas interpretações na internet. Tudo isso é apresentado, no filme, com uma estética quase minimalista.

Entretanto, embora minimalista, a estética de 2001 provoca um forte estranhamento (principalmente em amantes das imagens, como eu). Para mim, a principal responsável por esse estranhamento, que às vezes chega a amedrontar, é a trilha sonora. Desde confusas vozes até o belíssimo Danúbio Azul, a trilha sonora encaixa perfeitamente com as imagens e com o enredo de 2001. É preciso citar ainda a fotografia e a direção de arte, que juntas pelas mãos do genial Stanley Kubrick provocam algumas das cenas mais belas do cinema.

Além de tudo isso, 2001 não possui uma estética datada. Mesmo fazendo uso do retrofuturismo dos anos 60 e através de efeitos especiais ganhadores do Oscar (em uma época em que não se fazia uso de computadores para isso), 2001 continua atual. Talvez isso se deva mais aos questionamentos propostos pelo filme, que sempre estarão presentes dentro de nós. Talvez 2001 seja genial porque faz vir à tona questionamentos que todos nós possuímos (mas nem sempre pensamos a respeito) de uma forma aparentemente fria. 2001 é um filme extremamente humano, mas ao mesmo tempo não é. Àqueles que souberem apreciar toda a grandiosidade desta obra no seu devido ritmo, repito que a experiência será única. Assim é 2001: Uma Odisséia no Espaço. Difícil de explicar, mas incontestavelmente genial.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Valentino Couture Fall 2010


Fotos: style.com

A Valentino sempre foi feminina. Além disso, ela estava com uma identidade madura demais nos últimos anos. Desde que Valentino deixou a direção criativa na marca, a Valentino está rejuvenescendo sua identidade, apostando no girlie. Acontece que o girlie é o hit do momento. Sim, o romantismo está em alta entre os jovens, e bem na hora que a Valentino mais precisava. Infelizmente, ela não está sendo muito lembrada (a marca símbolo do girlie e hit do momento é a Miu Miu), mas é justo lembrar aqui o trabalho que Maria Grazia Chiuri and Pier Paolo Piccioli estão fazendo.

Nessa coleção Altacostura Fall 2010 isso fica bem claro, com o girlie no ponto máximo. Algumas formas coincidiram com as da Miu Miu, mas a identidade da Valentino está lá, presente no lindo mini vestido vermelho, nos detalhes como os babados e na elegância.

terça-feira, 15 de junho de 2010

SPFW Verão 2011 - Gloria Coelho

Fotos: FFW

No Brasil e no mundo, são poucos os estilistas capazes de unir ciência e arte, vanguarda e elegância, experimentalismo e marketing em meio a uma excepcional destreza técnica. Gloria Coelho está entre este seleto grupo. É bem verdade que a estilista tem realizado trabalhos muito semelhantes nas últimas três temporadas, e a moda está correndo tão rápido que temos a impressão de que todos têm o dever de acompanhá-la com a mesma velocidade. Com Gloria Coelho, isso não ocorre.

Gloria sabe muito bem que a pressa é a inimiga da perfeição e é com seu próprio ritmo que ela produziu um desfile perfeito no último São Paulo Fashion Week. Explorando mais uma vez o futurismo, o desfile contou com uma trilha certeira e todos os outros elementos em perfeita harmonia para que a estilista apresentasse sua coleção. Com o título "sistemas e símbolos", a coleção foi desenvolvida a partir da desconstrução do símbolo da Electrolux (estratégia de marketing que não feriu a liberdade criativa da estilista) e da interessante visão de Gloria Coelho sobre as listras, que vieram texturizadas.

E se a estética atualmente redundante da marca cansa, ela é por um lado importante para a coerência da identidade de marca. E Gloria, é claro, tem crédito suficiente com a mídia e com suas consumidoras para manter a mesma estratégia por algumas temporadas.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Conclusões parciais da temporada

Ainda não chegamos no inverno. Mas, se depender do que a moda brasileira nos propôs há alguns meses atrás, ele seria complexo, cheio de misturas de tecidos variados e tons neutros, principalmente os mais escuros. Quem não se lembra dos vários mix de texturas e da onda rocker (que já estava enjoando no exterior) dos desfiles de moda da temporada passada? A idéia era a de uma mulher independente, de cores fortes e muito atraente (como é, por exemplo, a mulher Balmain).

Após os desfiles Outono/Inverno no Brasil, o que se viu na Europa e em Nova York foi uma nova proposta: a de uma mulher ainda independente, mas minimalista, séria. Uma mulher madura, que ficou marcada pelos tricôs pesados da Prada.

Agora o que vemos no Fashion Rio (que já acabou) e no SPFW fazem com que eu, como consumidora e como comentarista, me confunda. Afinal, ainda não tivemos praticamente a chance de testar o lurex, os tricôs, o veludo e as outras idéias que os desfiles da temporada passada nos deixaram e eis que elas são atropeladas pelas idéias dos desfiles que estão ocorrendo agora.

Graça Ottoni, Filhas de Gaia, British Colony, Maria Bonita e Têca

Fotos: FFW

Quais são essas "novas" idéias, então? Vejo duas vertentes até agora. A primeira é minimalista, mas não um minimalismo sério como o Europeu e sim adaptado a nossa cultura, mais leve (e ainda assim elegante) e preenchido com tons neutros claros - o branco, principalmente. A segunda vertente é a do romantismo, que também é uma alternativa na Europa, principalmente devido à Miu-Miu. Aqui, o romantismo está aparecendo ora sutil, ora estereotipado, com direito a muitas estampas florais e todos os outros elementos românticos. Tons pastéis e uma vontade laranja colorem os looks dessa vertente.

Maria Bonita Extra, Filhas de Gaia, Têca, Maria Bonita Extra e Patachou

Mas o SPFW ainda não está na metade e, até o fim, é possível que surjam novas alternativas ou que seja possível unir essas duas. O certo é que o inverno sério e de texturas complicadas está terminando antes mesmo de seu início.

(Nossa, fiquei muito tempo sem atualizar. Quero agradecer a todos que não abandonaram o Valentino Dress durante esse recesso, que foi totalmente involuntário, mas agora vou voltar a postar freqüentemente. Saudades de todos.)

sábado, 29 de maio de 2010

A Capital da Moda Praia

É hora do Brasil mostrar a sua força. Com o São Paulo Fashion Week se firmando no cenário mundial e o Fashion Rio caminhando para uma identidade própria, a moda brasileira só tem a ganhar.


As duas semanas de moda estavam em disputa ao adotar a mesma estratégia, e a semana carioca evidentemente saía perdedora, principalmente na temporada Outono/Inverno. A Luminosidade, que coordena as duas semanas de moda, conseguiu ver isso assim que assumiu o comando do Fashion Rio e tratou de mudar a situação. Afinal, onde já se viu uma marca ter dois produtos com público-alvo e características idênticas? Sob o viés do marketing, isso é extremamente prejudicial.

O São Paulo Fashion Week passa a ser, então, A semana de moda do Brasil. Enquanto isso, a previsão é que o Rio de Janeiro se torne a capital mundial da moda praia em 2011, quando as marcas de moda praia que desfilam em São Paulo passarão para o Rio de Janeiro. A cidade nunca foi um polo criativo de moda, apesar de todo o talento dos estilistas. Com o beachwear, entretanto, esse cenário é diferente, o que pode ser demonstrado através de marcas como Lenny e Salinas.

Além disso, o Fashion Rio será também o cenário ideal para as Cruise Collections, que vêm crescendo no mundo e também têm tudo a ver com o Rio de Janeiro. O Fashion Rio caminha, assim, para uma moda que sabe fazer muito bem: descontraída, leve, comercial, mas nem por isso menos talentosa.

domingo, 23 de maio de 2010

Artigo: Blogs, jornalismo e informação


Segundo essa notícia, mais da metade dos blogueiros se consideram jornalistas. Esse número, para mim, é extremamente preocupante. O jornalismo é uma profissão que EXIGE certos conhecimentos sem os quais não há como exercer o trabalho - e assim é com todas as outras profissões. Não basta ser especialista - academicamente ou não - em algum assunto e escrever sobre ele para você ser considerado um jornalista.

Esse conhecimento acerca da profissão - que deve ser, na minha opinião, teórico E prático - não precisa ser adquirido necessariamente através de uma universidade. Afinal, há outros diversos meios de obter conhecimento. Entretanto, esse conhecimento é indispensável.

Sei que esse assunto já está saturado, mas agora que eu estou mais próxima do meio jornalístico, posso opinar melhor. Não, eu ainda (porque pretendo ser sim, algum dia) não sou uma jornalista, estudo Publicidade e Propaganda e estou dando uma opinião como blogueira e como estudante de comunicação social - não de jornalismo.

Mas, voltando aos blogs, duas das questões que me incomoda nesse assunto são a imparcialidade e a veracidade das informações. O blogueiro pode até tentar ser imparcial em seus posts, mas não é por isso que ele é um jornalista. É claro que isso não impede que ele tenha o direito de dar a sua opinião sobre qualquer assunto que ele queira, tanto é que os blogs estão sendo cada vez mais utilizados como ferramentas de informação, conforme eu estou observando na pesquisa respondida por vocês mesmos. Além disso, o conteúdo publicado nos blogs nem sempre é confiável, pois o blogueiro não tem obrigação de checar as fontes. Isso não significa que os veículos devem ser cegamente tidos como imparciais e verídicos. Ambas as fontes, tanto a jornalística quanto a amadora, DEVEM ser lidas com pensamento crítico.

No campo da moda, isso muda um pouco, já que a maior parte do conteúdo veiculado sobre moda é superficial (qual é a tendência? o que fulana está usando? qual é o esmalte do momento?). Tanto a maioria dos blogs quanto a maioria dos veículos jornalísticos limitam-se a permanecer nessa esfera das aparências. Dessa forma, não há muita diferenciação entre o que um blog informa e o que um veículo informa. Afinal, não é culpa dos blogs se eles conseguem transmitir a mesma informação que um veículo de moda, muitas vezes de forma mais original que os ditos jornalistas.

Esse impasse pode ser resolvido de 2 formas:

1) Os blogueiros devem diversificar o conteúdo e procurar pontos-de-vista diferentes, transmitindo opinião em vez de informação;

2) Os jornalistas devem penetrar o campo da moda, explicando a seus leitores a raiz dos fatos, dos desfiles, das tendências, da própria moda e se diferenciando, assim, dos blogueiros.

Eu tenho bem claro na minha mente qual é a melhor opção. E vocês, o que acham? Vêem alguma outra alternativa?

(Depois eu publico qual é a minha opinião).

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Artigo: A descentralização da informação de moda


Desde que foi criada a primeira revista feminina (thanks, Aline), em 1693, ela sempre foi o principal meio de informação de moda no mundo. A revista é o meio impresso de melhor qualidade estética, principalmente se comparada ao jornal. E como a estética é essencial para a moda, a revista é um meio ideal. Ela permite tranqüilamente que textos e imagens transmitam informações. Essas últimas são parte fundamental de qualquer revista de moda ganhando, às vezes, uma maior relevância que o texto. Essa imposição da imagem sobre o texto acontece praticamente apenas com o campo da moda, uma vez que moda é um tipo de imagem.

Com o surgimento da televisão, em 1939, a moda via novas formas de comunicar sobre si mesma, dessa vez podendo até ser mostrada em movimento. No entanto, a consolidação desse tema na televisão nunca ocorreu. Acontece que a televisão, ao contrário da revista, encontra pouco espaço para a segmentação. E a informação de moda é um dos vários campos que são preteridos pelos telespectadores em geral. Atualmente, a tv por assinatura mostra sinais de um verdadeiro acervo de revistas eletrônicas, onde estão dispostos canais sobre os mais variados assuntos. Talvez a moda ainda se consolide nesse meio, através de canais como o Fashion TV. Mas teremos que esperar pra ver.

Enquanto isso, o surgimento de um meio também recente vem inovando e transformando consideravelmente a informação de moda. Sim, estou falando da internet. Meio extremamente efêmero, a internet, especialmente a web 2.0, assume o papel de ser o maior acervo de revistas virtuais da história. Além disso, ela permite um nível nunca antes visto de interatividade. A recepção da informação passa a ser, quase sempre, 100% ativa. Esse meio também é capaz de oferecer ainda mais segmentação do que as revistas impressas. Em suma, a internet reúne as principais vantagens de todos os outros meios, pelo menos para o campo da moda.

Mas será que isso significa que as revistas não serão mais importantes? Eu duvido muito. Acho que a tendência é uma cada vez maior hibridação dos meios em todos os campos, inclusive na moda. A própria internet apresenta ferramentas propícias à hibridação dos meios, como o Youtube, por exemplo. Além disso, duvido muito que um meio como a revista, que possui tantos anos de tradição, vá acabar. Ele ainda possui extrema importância como meio oficial e de relativa credibilidade. Paralelamente, os vídeos, seja na tv por assinatura ou na própria internet, estão mantendo o interesse do espectador e complementando informações dos meios impresso e virtual.

Entretanto, é preciso ressaltar que a internet, por toda sua efemeridade, é um meio imprevisível e muitas vezes incontrolável. A informação acaba, portanto, adquirindo essas mesmas características. A descentralização da informação só traz vantagens, desde que venha sempre acompanhada do bom senso e do senso crítico.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

A glamourização das modelos


Quem nunca sonhou em ser modelo quando era criança? Mesmo sem conhecer quase nenhuma representante dessa profissão, mesmo sem saber direito o que elas faziam, eu já brinquei de desfilar, de posar pra fotos, de vestir sapatos da mamãe. As primaveras passaram, os sonhos mudaram e eu entendi o que é uma modelo e o que ela faz.

A idéia de usar manequins vivos para expor roupas se materializou com o estilista Charles Worth. Além de ser o pai da alta-costura, ele também foi o primeiro estilista a realizar um desfile de moda. Assim, suas clientes foram capazes de visualizar as roupas em pessoas de verdade e, mais do que isso, puderam observar as roupas em movimento.

Com o passar do tempo, a imagem da modelo foi se afirmando como uma das principais ferramentas de publicidade na moda. E como na moda tudo é sedução, a beleza - com todas as suas subjetividades - foi se tornando um requisito obrigatório para a profissão. Além de subjetivo, esse requisito mudou ao longo das décadas, de acordo com a onda estética de cada época. Nos anos 60, as modelos ganharam uma maior fama através da inglesa Twiggy, que transformou, com seu biotipo magro e alongado, o padrão de modelos até aquela década.

Desde então, e com uma certa aceleração nos anos 90, ser modelo significa não apenas ser magra (conforme o gosto estético da atualidade manda) e bonita, mas significa também atingir o status de celebridade. Embora os nomes da maioria das top models não sejam reconhecidos por pessoas leigas à moda, é na coletividade que elas se afirmam, não apenas como modelos nas passarelas mas também como modelos a serem seguidas na vida real, desde seus aspectos físicos até as roupas geralmente utilizadas por elas, básicas e de formas justas.

No mundo da moda, elas ganharam respeito e admiração, sendo, algumas vezes, mais aguardadas do que os próprios desfiles e coleções. Além disso, muitas arriscam projetos em outras profissões ligadas à moda, como a criação e a fotografia. Não entrarei na questão da magreza excessiva. Primeiro porque esse assunto rende um post separado (provavelmente enorme e polêmico) e segundo porque acredito que nossas modelos possuem outras características que merecem ser comentadas.

Não há dúvida de que a profissão cresceu com o passar dos anos, e as modelos, coletiva ou individualmente, são fatores cada vez mais influentes na indústria da moda. O questionamento que eu proponho pra vocês é até onde chegará essa influência. Qual é o futuro das modelos na indústria da moda?

terça-feira, 4 de maio de 2010

Looks coletivos no MET 2010

Pra mim o tapete vermelho do MET é muito mais importante que o Oscar. Na festa da Academia, os vestidos são muito classy e playing safe, alguns são até borings. Já no baile do MET nós nos divertimos vendo estilistas, modelos, celebs e piriguetis se esforçando pra estarem dignos de pertender à classe fashionista (hahaha). O resultado é que muitos looks surpreendem positivamente e muitos outros nos fazem rir.

Mas o que eu mais gostei de observar esse ano foi a integração entre estilistas, marcas e modelos/celebs. Reparem como os estilistas estão com looks combinando com os das modelos e reparem também que o que eles vestem geralmente possui a identidade da marca, sendo que cada grupo está transmitindo um estilo:


P&B/volumes: Vera Wang e Mila Kunis
Minimalismo: Zoe Saldana, Francisco Costa e Diane Kruger (sempre diva)
Alfaiataria: Phillip Lim e Alexa Chung (watch and learn, Rihanna)


Elegância simples: Stella McCartney (amei), Liv Tyler e Kate Hudson
Chanel style: Elisa Sednaoui e Karl Lagerfeld (de uniforme)
Urbano: M.I.A. (rica!), Alexander Wang e Zoë Kravitz.


De agora em diantes só posto fotos de red carpet de duplas ou trios!

sábado, 1 de maio de 2010

Fashion Music - Franz Ferdinand

Oi, gente. O post hoje vai ser curtinho e intimista. Nas últimas semanas eu tenho estado meio ocupada e na próxima também. Na verdade é tudo culpa do Caderno 2, mas logo voltarei ao ritmo normal. Enquanto isso, deixo pra vocês um vídeo da minha banda preferida. Reparem na fotografia e no figurino maravilhoso das modelos. Tem um momento meio Alexander McQueen no vídeo hahaha. Boa semana pra todos.

Franz Ferdinand - No You Girls

terça-feira, 27 de abril de 2010

Valentino Fashion Shows - Spring 2004

Dos desfiles da década de 2000 da Valentino, os de Primavera/Verão têm sido os meus favoritos. Me agrada muito a leveza dos tecidos esvoaçantes escolhidos pelo estilista e acho interessantes os atrevimentos que ele insere uma vez ou outra na passarela.

Em 2004, Valentino também trabalhou com as várias mulheres que cada uma possui dentro de si e eu consegui destacar 3 pontos bons no desfile.

Um deles foi a alfaiataria, que me surpreendeu por ter sido apresentada de maneira bem jovem. Como a seriedade já está intrínseca na alfaiataria, Valentino encurtou os comprimentos e inseriu decotes. O truque é muito óbvio, mas graças à excelente técnica do estilista e aos clássicos tons neutros, o resultado foi interessante e classy.

No mesmo desfile, o cenário muda totalmente e as modelos aparecerem com vestidos exageradamente leves (tecido esvoaçante + cores claras + estampa floral ou de borboletas). Nesse ponto eu até achei a cartela de cores meio brega; em compensação ,as estampas estavam bem fofas. Tudo isso pra transmitir um romantismo que serve como disfarce para uma mulher sexy, mas sempre (!) elegante.

O desfile acaba, é claro, com os vestidos longos. Dessa vez, eles são todos ofuscados pela única peça vermelha a aparecer no desfile. Por mais que os vestidos tenham elementos interessantes (o branco da direita tem uma causa linda!), todos viram coadjuvantes de um dos melhores longos vermelhos de Valentino.

P.S.: Que bom que vocês gostaram da idéia da seção nova.
P.S. 2: Thanks a lot a todos que estão participando da minha pesquisa. E quem ainda não respondeu, please responde, é bem rápida.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

A ascensão das redes de fast fashion


Um dos assuntos mais debatidos atualmente é a crescente importância das redes de Fast Fashion na indústria da moda. Com a consolidação do estilo hi-lo, elas ganharam utilidade para a moda enquanto conceito. Antes desprezada pelas líderes de opinião, hoje essas lojas estão praticamente livres do preconceito, embora ainda não possuam o mesmo nível de qualidade e inovação criativa das grandes marcas.

Um dos maiores trunfos atuais das lojas de departamento, além do preço acessível e da grande variedade de peças, é a capacidade que elas possuem de se apropropriar das tendências e colocá-las à venda antes das marcas tradicionais. É possível até mesmo que certas peças muito desejadas sejam encontradas exclusivamente nessas lojas, como a meia-calça de poás e a meia-calça de corações da Renner. Os desfiles de moda internacionais acontecem muito tempo antes do lançamento da coleção comercial. Assim, as lojas de fast fashion (do exterior e, mais recentemente, do Brasil) se aproveitam disso, conseguindo satisfazer os desejos dos consumidores muito antes das grifes.

Infelizmente, no meio desse processo, muitas cópias são feitas, muitos conceitos cuidadosamente pensados são roubados e os consumidores fashionistas se calam diante dessa falta de ética. É preciso distinguir tendências de peças. Tendências são subjetivas, normalmente resgatadas de algum lugar do passado e acessíveis a todos. Peças são fruto direto da criação de alguém e possuem características específicas. Um vestido rosa-chiclete de babados (péssimo exemplo hahaha) não é uma tendência, mas a cor rosa-chiclete ou o elemento "babados" podem ser. Mas não pretendo me alongar nesse assunto polêmico.

Um outro trunfo das redes de fast fashion é a publicidade. Particularmente no Brasil, elas parecem ter acordado e percebido que suas lojas também são marcas de moda e que, por isso, precisam de identidade, coerência, marketing e de publicidade. Elas estão investindo, desse modo, em uma estratégia de aproximação com a própria moda, participando de eventos como o SPFW, patrocinando sites e blogs e realizando parcerias com nomes representativos na moda nacional. Enquanto as grifes geralmente são mais reservadas, as redes de fast fashion buscam a identificação de seu público-alvo, ou a parte dele que é diretamente ligado à moda.

Por fim, o sucesso também se deve a cada vez mais forte valorização do street style. Sabemos que o valor das passarelas é e ainda será muito forte. Entretanto, cada vez mais a importância vem sendo dividida com a moda das ruas, seja lançada pelas celebridades, seja por pessoas comuns. Lojas de departamento sabem se apropriar desse estilo melhor do que qualquer outra marca por tradição, mesmo que esse não seja seu posicionamento.

As redes de fast fashion estão em constante ascensão. Se é oportunidade de momento, ou se isso irá durar, acredito que só o tempo poderá dizer. Mas enquanto a queda não acontece, os consumidores e essas lojas se aproveitam do cenário mais favorável a elas de todas a história da moda.

domingo, 18 de abril de 2010

Pesquisa

Seguinte: eu vou escrever um artigo sobre a publicidade nos blogs de moda. Pra isso, vou precisar de uma ajudinha de vocês. É só responder a essa pequena pesquisa aqui embaixo. Todas as perguntas tem que ser preenchidas, ok?

Muito obrigada desde já!


sexta-feira, 16 de abril de 2010

Valentino Fashion Shows - O Militarismo

A partir de hoje vamos ter uma série especial aqui no blog. Eu sinto falta de falar um pouco mais do Valentino, que - vocês já devem desconfiar - é meu estilista preferido ever. Uma vez por semana vamos conhecer e analisar alguns dos desfiles RTW e Couture do imperador da moda.

Pra começar eu escolhi logo de cara um tema não muito esperado dele: o militarismo, que foi apresentado no prét-à-porter S/S 2003.

Como não podia deixar de ser, a coleção teve looks elegantes, nas cores verde-militar, bege e branco, simbolizando a paz. O militarismo foi explorado de forma sutil. A invés do camuflado, a estampa era de folhas outonais. Looks comportados, mas ao mesmo tempo femininos, com direito a tecidos esvoaçantes e um pouco de brilho.

Mas quem acha que Valentino é só pra mulheres comportadas se engana. A mulher Valentino também é, às vezes, sexy. E pra sobreviver à guerra usa hotpants, mini-mini-mini-saias e até um trench-coat 5 números menor. Esses looks, na minha opinião, fogem um pouco da ideologia de Valentino. Não sei se ela estava tentando um rejuvenescimento naquela época, mas se eu não tivesse lido, juraria que era um desfile de Roberto Cavalli!

No entanto, temos um final feliz! Valentino nos brinda com o que ele faz de melhor: vestidos. Aqui o verde-militar perde sua força para o romantismo das flores e para a feminilidade do clássico vermelho.

Uma coleção, diria eu, atípica de Valentino. E por isso mesmo muito interessante. Seriedade, sensualidade, romantismo ou mesmo a paz são algumas das táticas que a mulher Valentino precisa para vencer as batalhas de seu cotidiano.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Sobre Moda e Arte com Catarina Gushiken

No último sábado eu fui cobrir o Pixel Show pro Caderno 2, programa produzido por alguns alunos da UFRGS pra UNITV (canal 15 da NET). Pois bem, a Catarina Gushiken, que foi durante 8 anos estilista da Cavalera e é ilustradora e designer, estava lá, e eu aproveitei pra conversar um pouquinho com ela.

imagem: site da Catarina Gushiken

Quando você decidiu ser designer? Por que escolheu essa carreira?
Catarina: Eu sempre gostei de ilustração. Eu sempre quis trabalhar com arte, desenho, mas no começo trabalhei como estilista. Por 8 anos trabalhei na Cavalera, coordenando a equipe de estilo e resolvi mudar, porque sempre gostei de arte. Acabei saindo da área de estilo e indo trabalhar como ilustradora, mas meus trabalhos sempre misturam ilustração e moda.

Que importância tem o Pixel Show para o design brasileiro? É a primeira vez que você participa do evento?
Catarina: Eu acho que uma importância muito grande, principalmente nesse momento em que o Brasil está sendo muito visto. Não é a primeira vez que eu venho no evento, já fiz uma outra participação, sou amiga dos meninos da Zupi (organização do evento). A gente faz vários projetos. Inclusive, tenho uma marca, e eles fazem a curadoria dos ilustradores que estampam a minha marca.

Quais são as suas inspirações e o que você quer passar com o seu trabalho?
Catarina: Eu sou neta de japoneses, então eu tenho uma forte influência oriental, mas também sempre gostei muito de anatomia. Então as minhas referências vem muito do universo do orgânico, da fluidez, do ritmo e do movimento. Desse momento de inspiração em coisas de anatomia, que vem essa coisa mais visceral, mais forte. Mas ao mesmo tempo a delicadeza, a suavidade das referências orientais. É uma mistura disso.

Você trabalhou durante anos como estilista. Você acha que a moda pode ser considerada uma forma de arte?
Catarina: Eu acho que todo tipo de expressão artística verdadeira, com estilo, com propriedade pode ser considerada uma expressão artística. Mas em todas as áreas, mesmo na parte de artes pláticas, você tem um momento que é comercial. Então existe o momento de criação, mais conceitual, que é onde você acaba criando uma identidade e existe o momento comercial. A moda permeia por esses dois lados. Existe o momento que é artístico, que é o da concepção, mas a moda também é mercado, venda. E nesse momento já não é mais arte, aí é business. Mas acredito que isso existe em diversas áreas, não só na moda.

A moda te influencia no seu trabalho como ilustradora?
Catarina: Eu acho que esses oito anos que eu trabalhei na Cavalera não tem como não influenciar. Talvez na questão do desenho das roupas, das personagens. Todas as minhas ilustrações acabam tendo um figurino. De uma certa forma acho que essa foi a referência que a moda me trouxe.


Super amei a visão dela sobre essa relação entre arte e moda. E acho que é por aí mesmo, né? Quando a moda envolve criações (não necessariamente de estilistas, pode ser qualquer um de nós) autênticas, que queiram expressar algo de forma mais subjetiva, ela pode sim ser considerada arte. Venho pensando há alguns dias no conceito de arte, mesmo sem realmente ter estudado isso a fundo. Se permitem utilizar o meu senso comum, acho que esse conceito está um pouco confuso hoje em dia. Uma das causas disso, pra mim, é justamente o limite entre o conceitual e o comercial. Embora a gente geralente consiga separar os 2 tipos de expressões, nem sempre isso é possível. Mas, como cada pessoa interpreta a arte como quiser, posso concluir que a arte está nos olhos de quem vê. O que vocês acham?

*Além de sábia e talentosa, Catarina (super íntima hahaha) é muito fofa! E vocês podem conferir a matéria sobre o Pixel Show na quarta-feira (às 14:30, 19:30 e 21:30) na UNITV. Ou a partir de quinta-feira neste canal do Youtube. Também vou postar o link direto no meu twitter quando estiver disponível.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Artigo: Posts pagos: uma reflexão

Blogueiras de moda são, coletiva e individualmente, líderes de opinião. Para a publicidade, isso quer dizer que os blogs de moda são meios que sustentam a o Two-Step Flow (teoria que defende que a comunicação depende de relações interpessoais entre indivíduosos e opiniões preexistentes). As opiniões dessas líderes são, para o consumidor, muitas vezes mais confiáveis do que a opinião emitida pelas mídias tradicionais. Pensando nisso, as empresas de moda estão pagando as blogueiras para falarem de seus produtos. Mas será que essa estratégia é mesmo eficiente?


É preciso levar em conta que os posts pagos são, quase sempre, muito diferenciados dos outros posts de um mesmo blog. Alguns parecem até forçados e acabam provocando um estranhamento por não serem escritos no estilo próprio de cada blogueira.

Por outro lado, freqüentemente há propagandas muito bem diluídas nos posts, o que faz com que pareça que as blogueiras realmente compram, consomem e idolatram determinado produto. Mas essa pode não ser uma verdade absoluta. A blogueira estaria sendo paga, então, para dizer uma "mentira". A solução para resolver esse problema é simplesmente avisar que os tais post são pagos. É uma questão até mesmo de ética, porque a blogueira, em casos extremos, não só estaria "enganando" seu leitor como também recebendo dinheiro para isso.

O processo é semelhante a um merchandising na televisão. Se a linguagem ou produto utilizados forem muito deslocados do contexto, não é conseguido o efeito desejado. Da mesma forma, uma inserção de merchandising (que sempre é sinalizada nos créditos do programa) cuidadosa e estratégica pode render bons frutos aos 3 lados (consumidor, blog e anunciante).

Há outros modos de se realizar esse tipo de publicidade na blogosfera, como os sorteios, por exemplo. Esses são os mais úteis em termos de interesse dos 3 lados: a blogueira, além do dinheiro, ganha mais audiência, o leitor tem a possibilidade de ganhar o produto e o anunciante vê seu produto virar objeto de desejo.

Entretanto, esses meios estão se desgastando. Acredito que não surtem o efeito desejado e podem até causar um efeito contrário, de demanda negativa, devido à saturação no mercado e ao pouco convencimento. A internet é um paraíso para a publicidade. É preciso que se tenha mais criatividade, a fim de criar meios de publicidade tão inovadores e eficientes quanto a própria plataforma.

domingo, 4 de abril de 2010

Sobre a tal moda globalizada


Não é segredo que a gente sempre acaba "roubando" tendências da moda internacional. Prova disso é o último Fashion Rio, que parecia mais uma homenagem a Balmain e Balenciaga do que ao Rio. Claro que não é só na moda que isso ocorre. Aspectos da cultura pop mundial (a maioria proveniente do american way of life) são incorporados por qualquer país ocidental (e alguns orientais), principalmente depois da globalização.

A globalização é um fenômeno que se intensificou nos anos 80 e consiste em encurtar as distâncias em termos econômicos, sociais e culturais. Ela generaliza, ao mesmo tempo em que personaliza. É criativa, ao mesmo tempo em que é repetitiva. Com a revolução tecnológica e a Era das Informações, tenho pra mim que essa globalização está se intensificando e, claro, aumentando de velocidade.


O resultado disso pra moda é a tal efemeridade, mas não só ela. Auxiliada pelos meios de comunicação, a globalização cria desejos que - assim como propicia a internet - são cada vez mais individualizados. Esses desejos, porém, são provenientes do que já existe (seja nas passarelas ou nas ruas do mundo afora). Daí essa profusão de tendências, as quais temos total liberdade para desejar (ou não).

Um fenômeno que eu observei nessa temporada foi a simultaneidade de tendências aqui e lá fora. O veludo se mostrou muito presente nos desfiles de moda brasileiros. E surpreendentemente também nos desfiles de moda internacionais, que acontecem depois. Esses desejos globais derivam da quebra de fronteiras geográficas e culturais causada pela globalização.

A pergunta que fica é o que vai ocorrer a partir de agora. A que essa crescente sintonização de desejos vai levar? Será que a personalização extrema vai acabar com as tendências? Ou será que elas ganharão força através dessa sintonização? Vocês respondem.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Todo mundo pode usar

A globalização da moda em termos de consumo pode encontrar algumas barreiras. Uma delas é o clima. Muitas tendências internacionais são feitas para o inverno, enquanto é verão aqui. E mais ainda, em algumas regiões do Brasil praticamente não há inverno. No entanto, não acho que somos um país tropical. Somos um país continental de vários climas diferentes. O clima do Rio Grande do Sul é muito diferente do clima do Espírito Santo que é muito diferente do clima do Amazonas. Falo isso porque já morei nos 3 lugares.

Mas apesar de tantas diferenças, acredito ser possível sim que o consumo dessa moda globalizada possa ser praticado em todos os cantos do Brasil.


As regiões mais frias como Sul e parte do Sudeste não vão encontrar problemas para usar casaco de pele (falsa!), toneladas de couro e veludo e todos os desejos da temporada. A meia-calça texturizada vai poder ser usada no outono nessas regiões (porque no inverno só fio 60 pra cima né?). Os fashionistas do Centro-Oeste (em dias mais frios) e também de parte do Sudeste vão poder usufruir tranquilamente das meias-calças texturizadas, das jaquetinhas perfecto de couro e dos casacos mais leves de pele.


Mas e onde não faz nem um friozinho no inverno (tipo no Norte e Nordeste)? Aí é só adaptar as tendências que você tem vontade de usar pro calor. A meia-calça, por exemplo, muitos não usam por achar que é quente demais para o clima onde moram, mas no fim ela é mais fresquinha que uma calça jeans, não é? O couro e o veludo não precisam ser usados só em jaquetas, dá pra usar com shorts/saias. Já as peles podem sim ser usadas em golas e coletes, não pra esquentar, mas como fator de adereço. Por que não?

Então não tem desculpa, todo mundo pode usar as vontades globalizadas do momento. Sempre lembrando (apesar de vocês saberem melhor do que eu) de assimilar as tendências com seu próprio estilo pessoal.

(Esqueci de falar: o Valentino Dress saiu na revistinha do jornal Agora, lá de SP, junto com outros blogs muito muito bons:


Que honra!)

sábado, 27 de março de 2010

Artigo: Cópia ou Inspiração?

Ninguém tem dúvidas de que o popular vende. Seja na música, no cinema ou na moda. Neste último campo, o popular é antes uma tendência que, se bem aceita pela opinião pública, pode virar uma fórmula de sucesso. Foi isso que ocorreu com a Balmain. O rock-chic de Decarnin é um fenômeno comparável a Avatar 3D, no cinema ou a Lady Gaga, na música. Diante de tanto sucesso, é inevitável que surjam inúmeras cópias do original (alguém aí ainda aguenta ver tachas??). Cópias que algumas marcas chamam de inspiração. Mas qual é o limite entre a inspiração e a cópia?


Recentemente, uma polêmica discussão ocorreu no blog De Chanel na Laje, sobre a Birkin de moletom feita pela 284. As bolsas da Chanel também foram muito copiadas há pouco tempo, tanto por marcas famosas, com identidades próprias (ou não) quanto por lojas fast-fashion, que pelo menos cobram pouco pelas cópias/inspirações, comparadas a outras lojas por aí.

Essas últimas são as campeãs no quesito cópia/inspiração. Acredito que serão as mais privilegiadas por essa globalização da moda: como as marcas internacionais geralmente apresentam suas coleções muitos meses antes de colocá-las à venda, as redes de fast fashion possuem tempo de sobra para se apropriar das tendências/possíveis hits e até vendê-las antes. Mas esse assunto é tema para outro post.

Acredito que a diferença entre a cópia e inspiração esteja na essência da própria marca. Ora, uma marca que tenha seu próprio, digamos assim, orgulho fashion, não vai apenas copiar um hit da moda e colocar à venda. Ela vai querer fazer uso desse hit, porém com seu toque criativo de forma relevante. O problema é que esse toque criativo é muito subjetivo.

imagem: OQVestir

Muitos acreditam que as cópias existem apenas quando são exatamente iguais às marcas, inclusive seu logotipo. Mas o que há de tão diferente entre a Chanel original e as outras? Adianta utilizar um material diferente (como o moletom) quando a forma do produto é igual à original? Utilizar o nome de uma estilista para dizer que a está homenageando ao apresentar peças parecidas com as dessa estilista é cópia ou inspiração?

Não tenho resposta para nenhuma dessas perguntas. Somente acho que a identidade própria é fundamental para o sucesso de uma marca. Enquanto ela fizer cópias ou inspirações sem nenhuma inovação relevante, sem nada que destaque realmente sua própria identidade criativa, ela vai continuar sendo apenas mais uma marca, seja ela de fast fashion ou não.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Ah, Paris...

(Pra ler ouvindo La Vie En Rose!)

imagem: Cherry Blossom Girl

Cidade romântica, moderna, intelectual. Cidade das luzes. Quem não se sente inspirado, mesmo que nunca tenha visto de perto, pela torre Eiffel, pelo Arco do Triunfo ou mesmo pela sua rica história? Capital da arte, país de Monet, Renoir, Cézanne, Cartier-Bresson, Edith Piaf, Jean-Luc Godard, Coco Chanel, Yves Saint Laurent, Brigitte Bardot, Lipovetsky.

Inspiração pra vida e pra arte de se vestir.

Acho que ninguém descobriu ainda porque Paris encanta tanto. Mas se você ainda não se sentiu hipnotizado por Paris, não se preocupe, isso vai acontecer mais cedo ou mais tarde. E pra celebrar a chegada do outono, nada melhor que se inspirar nessa cidade inigualável pra dar aquele toque parisiense ao look.

A gente pode se inspirar nas gurias parisienses, com um pouco de tule, poás, babados, preto e branco, nude, flores, boinas, laços.


Ou a gente pode sonhar com as imagens da cidade, com a sua história, com a sua arte e deixar a inspiração fluir dentro da gente.


Não importa como nem por quê. Mesmo que você não queira, Paris está dentro de nós.

domingo, 21 de março de 2010

Artigo: O mercado gaúcho e a falta de visibilidade

Nessa semana, a notícia sobre o Santa Catarina Moda Contemporânea (através de sua cobertura pelos principais veículos fashionistas do país) e um tweet da RP de moda Juliana Laguna acenderam uma luz de alerta na minha mente. Resolvi fazer aqui uma reflexão que eu já deveria ter feito há muito tempo: Como é a moda no Rio Grande do Sul? Quais são seus problemas e qualidades?

Rödel-La

O fato é que o mercado de moda gaúcho é visto como nulo em termos de relevância para a moda. Não que não haja lojas de roupas por aqui. Há muitas, porém são pouquíssimas as que se afirmam como marcas, grifes de moda. Mas quais seriam os fatores contribuintes para essa apatia?

Cogita-se que o problema esteja nos consumidores gaúchos, apontados como conservadores e resistentes a mudanças, o que seria totalmente paradoxal à moda. Esse perfil, embora antigo, ainda tem um fundo de verdade entre alguns públicos. Porém, ao meu ver, não corresponde aos jovens da capital, supostamente o público-alvo de quase todas as marcas de moda.

Falta de interesse por parte dos estilistas parece também não ser o problema, já que temos bons e criativos criadores (se me permitem a redundância), frutos das diversas faculdades e cursos de moda do estado. O site As Patrícias possui um espaço reservado a eles. Muitos são reconhecidos e respeitados fora do estado, mas não dentro, salvo pelos gaúchos ligados profissional e academicamente à moda.

O que falta para que Porto Alegre pelo menos comece a despontar como mercado realmente criador de moda relevante é dar visibilidade aos nossos estilistas. É aí que o SCMC citado no começo do post entra em cena: nossos vizinhos estão conseguindo sua visibilidade ao investir em seu talento, enquanto nós não possuimos eventos de moda que contribuam verdadeiramente para o mercado de moda gaúcho.

O Mix Bazaar vem perdendo sua importância por falta de renovação e, consequentemente, de interesse do público. Mas e o Donna Fashion Iguatemi? Ah, a semana de moda mais importante do Rio Grande do Sul, amplamente divulgada pelo lamentável monopólio midiático que nós, gaúchos, sofremos. Sim, esse seria o trunfo do Rio Grande do Sul se o evento em questão não fosse organizado e, portanto, limitado em termos de oportunidades, pelo mesmo veículo de comunicação super-poderoso. Tal veículo pode até vender o evento como Fashion (e afinal, marcas como Colcci e Alexandre Herchcovitch contribuem para essa concepção), mas a verdade é que esse é um evento de marketing puramente financeiro, além de não dar quase nenhuma visibilidade aos criadores gaúchos. Quase não há novidades nem contribuições para a moda nacional nesse evento.

A pluradidade das mídias sem dúvidas ajudaria na divulgação e no crescimento do mercado e, portanto, no interesse público. São Paulo, por exemplo, além de diversos veículos tradicionais em igualdade de concorrência como Folha de São Paulo e O Estado de São Paulo, ainda possui diversos veículos apenas voltados para a moda, como os sites da Lilian Pacce, da Gloria Kalil e o portal FFW, entre muitos outros. E o que temos no RS? Praticamente um único jornal que dedica algumas páginas de domingo à moda, juntamente com um site que, ao invés de falar da moda no RS, copia os assuntos nacionais. No entanto, possuímos ótimos sites focados na moda gaúcha, como As Patrícias e Moda Manifesto. Assim como os estilistas, eles são reconhecidos "lá fora". Poderiam ser mais conhecidos pela maioria do povo gaúcho, mas são procurados mais pelas pessoas que estudam e trabalham com moda.

Se não podemos contar com a mídia tradicional para o crescimento da moda gaúcha, cabe ao próprio mercado e a seus apoiadores se auto-valorizarem, acreditarem que eles possuem algo a acrescentar para a moda nacional e investirem em seus potenciais. As barreiras econômicas podem ser vencidas através da união. Quanto à divulgação, se não possuímos veículos verdadeiramente voltados para a moda na mídia tradicional, a internet está aí para provar que não precisamos esperar eternamente pela caridade de alguém que só tem interesse em seu próprio bolso.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Cores nas passarelas (e nas ruas!)

O inverno, ainda mais quando europeu, é praticamente todo em tons neutros: o preto é o preferido, junto com o cinza, o marrom e outros tons mais claros. Tons neutros são mais elegantes (e mais fáceis de combinar).

Stella McCartney

Mas não é por isso que a gente tem que ter medo, preguiça ou até mesmo vergonha do colorido. Assim como a gente brinca de misturar texturas a gente também pode brincar de misturar cores. São tantos tons, tantas inspirações, que não tem desculpa de "cor não combina comigo". Você pode não ser fã do rosa-choque, mas tenho certeza que um verde-oliva você curte. Pra combinar cores não precisa vestir um casaco laranja e uma calça verde (embora a gente veja isso nas passarelas). Você pode começar com 2 de suas cores preferidas e adicioná-las em detalhes do seu look, por exemplo. O importante é, mais uma vez, o bom senso.

Separei algumas das melhores cartelas de cores dos desfiles Fall 2010 pra todo mundo se inspirar e tentar nas ruas, cada um do seu jeito.

Mulberry

Marni

E se nenhuma dessas imagens te inspirou, entra no Multicolr e experimenta lá primeiro as suas coordenações. Todo mundo soltando a Carrie Bradshaw que há dentro de si!

(No Blog da Oficina de Estilo tem tudo pra quem quiser saber mais.)

segunda-feira, 15 de março de 2010

Marc Jacobs x Balmain

(Juro que é a última vez que eu posto sobre isso, vocês já devem estar cansados. Eu já discuti o assunto aqui, aqui, aqui e aqui).

Se, por um lado, a moda enquanto vestuário não mostrou inovações nesta temporada, por outro ela nos trouxe uma questão interessante enquanto forma de expressão individual. Que tipo de mulher queremos ser? A glamourosa (me desculpem por essa palavra), sexy, feminina ao extremo? Ou a mulher prática, ocupada com suas várias atividades e tarefas, que utiliza a moda menos como uma expressão de feminilidade e mais como expressão de seriedade?

Marc Jacobs, assim como Chloé, Prada, Stella McCartney, Jil Sander e Yves Saint Laurent são do grupo dessa nova proposta, que revive ideais feministas. Uma proposta que vem sido amplamente discutida e muito bem aceita pelos veículos fashionistas. Na teoria (e nas passarelas), ela funciona e tem impacto, mas será que na vida real estamos dispostos a abandonar a fantasia e a sedução da moda em prol de nossas vidas atarefadas?

O movimento contrário já está aí há algum tempo, cujo expoente máximo e extremista é a Balmain: uma mulher sexual, que mostra seu poder através de suas roupas, que quer seduzir e sonhar através de sua imagem. Nessa temporada, ainda tivemos seguidores, tradicionais ou não, dessa idéia, como Oscar de la Renta, Nina Ricci, Giorgio Armani e Vera Wang. Será que ainda estamos com vontade de uma idéia já saturada e que começa a soar até machista diante de novos pensamentos?

Chloé, Stella McCartney, Hermés, Oscar de la Renta, Vera Wang

Claro, existem aqueles que não seguiram nem um nem outro movimento e fizeram sua moda segundo seus próprios conceitos. Mas, para mim, a solução para esse embate está naqueles que propuseram o meio-termo (como Lanvin, Hermés e Christian Dior): uma mulher que seja prática, mas também um pouco vaidosa; que seja séria, mas que se permita sonhar um pouco com o que a moda tem a oferecer.

Nunca fui a favor de extremismos. Entre Marc Jacobs e Balmain há outras mil alternativas, criadas pelos estilistas, pela mídia ou por cada um de nós, para expressar a mulher que queremos ser.

sexta-feira, 12 de março de 2010

E os direitos do animais?

Eu não sou eco-chata. Aliás, (infelizmente) passo longe disso. Mas acho que nessa época todos devem parar para refletir um pouco sobre algumas tendências atuais da moda. Não só em Paris como em Milão, Nova York e até em São Paulo, tivemos uma overdose de peles e penas. Depois de alguns comentários no meu último post, sobre o desfile da Chanel, não pude deixar de me perguntar: será que todas essas peles são falsas?

imagem: Jak & Jil

Segundo o site da Lilian Pacce, as peles que a Chanel desfilou são. Mas e quanto às outras marcas? Lanvin, Givenchy, Valentino, Viktor & Rolf, Jean Paul Gaultier, Reinaldo Lourenço, Fause Haten, Colcci, Versace. Todas essas e muitas outras marcas apresentaram peles. Embore algumas pessoas critiquem, eu não vejo nada de errado em gostar de peles falsas (elas são versões politicamente corretas, apesar de serem semelhantes às "originais"). E pode até parecer hipócrita eu estar aqui defendendo essa causa quando venerei o desfile da Lanvin, por exemplo. Mas sou otimista e a favor do lema "inocente até que se prove o contrário".

Mesmo assim, faço aqui uma pré-crítica, mesmo que cegamente, a todas as marcas que utilizaram as verdadeiras nessa temporada. Não é porque veio de um animal de verdade que a roupa tem mais valor do que uma sintética. Aliás, eu penso exatamente o contrário. E acho que muitas pessoas também.

Além disso, devo fazer um apelo a todas as consumidoras que, assim como eu, devem estar loucas de vontade de vestir seu casaco de pele nesse inverno: não comprem peças feitas com peles e penas verdadeiras. Uma roupa, apesar de ser uma forma poderosa de expressão estética, é apenas uma roupa. Não é preciso matar para se vestir.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Paris Fashion Week Fall 2010 - Valentino e Chanel

Valentino

Uma Valentino jovem, contemporânea, mas ainda assim romântica e elegante. Foi isso que - felizmente - se viu nas passarelas do desfile da marca. Para a construção dessa identidade, Pier Paolo Piccioli and Maria Grazia Chiuri escolheram silhuetas justas e comprimentos acima dos joelhos. As peles, penas, os drapeados e babados e o couro foram os responsáveis pela glamourização da mulher Valentino nessa estação. A cartela de cores veio em tons neutros, como off-whites e marrons e também com um toque tradicional de vermelho. Em suma, a Valentino fez tudo o que está sendo feito nessa temporada, porém com um ar mais romântico.

Chanel

Já a Chanel resolveu explorar ao máximo uma das maiores tendências da temporada: as peles. Além dos conhecidos casacos de pele, Karl Lagerfeld exibiu botas, saias e até calças (!!!) de pele. Tudo isso porque o tema da coleção é o clima polar. Teve também o clássico tweed, o couro e o tricô, tudo em preto, branco e marrom. Em termos de modelagem, nada novo (com exceção de uma hotpant de pele). Me parece que a Chanel anda seguindo a mesma receita da Balmain a cada temporada: o mesmo bolo, com recheios diferentes. A diferença é que Lagerfeld sempre provoca um certo estranhamento com suas polêmicas fashionistas.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Paris Fashion Week Fall 2010 - Lanvin

Lanvin

Se há até agora um desfile esteticamente perfeito na semana de moda de Paris, esse desfile é o da Lanvin. Os looks vieram com todas as vontades da temporada e um styling sutil que casava perfeitamente com as roupas. O acabamento das peças e a cartela de cores afirmaram a elegância como a principal característica do desfile.

Essa elegância foi construída de duas formas: minimalista, na primeira parte e mais luxuosa, na segunda. O minimalismo da Lanvin apareceu com ombros estruturados e plissados interessantes, constituindo a praticidade e seriedade que a temporada requer, porém de uma maneira sedutora. Já na segunda parte entraram as outras vontades da temporada, totalmente opostas à austeridade: plumas, transparência, tecidos brilhosos, texturas e penas, que davam exuberância aos looks.

O mérito de Alber Elbaz está em provar que as duas vontades opostas podem coexistir na mesma época. Existe moda para todo mundo.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Reflexões sobre a possível austeridade atual da moda

Há algum tempo nós não vemos inovações significativas na moda. Temos algumas novidades têxteis de vem em quando, mas nada comparado a um período de mudança marcante, como o New Look, por exemplo. O que vimos hoje são principalmente releituras do passado: o exagero dos anos 80, a elegância dos anos 40... quase sempre os vestuários das décadas do passado são adaptados para o presente. Mas e o futuro? Quando vamos presenciar uma nova estética na moda?

Hoje, lendo O Império do Efêmero de Lipovetsky, tive um insight. Talvez por essa falta de inovação, os estilistas estejam se espelhando em uma das maiores mudanças que ocorreu no mundo da moda: a de Chanel e Poiret, nos anos 1920.

Antes dos anos 20, as mulheres se vestiam com muito luxo, ostentação e riqueza de detalhes. A ordem era quanto mais, melhor. Não está acontecendo algo assim atualmente? À exemplo da Balmain, queremos misturar texturas e materiais, quanto mais glamourosos eles forem, melhor. Acontece que, naquela década, Poiret começou uma mudança ao libertar as mulheres do espartilho e Chanel revertou totalmente a lógica: agora menos é mais, sobriedade e praticidade tomaram o lugar do exagero. É isso que vemos hoje em algumas marcas, como Marc Jacobs e Prada.

Talvez os estilistam sintam falta de uma super mudança como foi o minimalismo elegante de Chanel. Talvez tudo isso seja um reflexo da democracia da informação de agora, dessa luta pelo novo, cuja consequência é um movimento inspirado naquilo que Lipovetsky chama de "democratização da moda" dos anos 20.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Paris Fashion Week Fall 2010 - Dries Van Noten, Balenciaga e Balmain

Balmain

Decarnin não quer nem saber de simplicidade, por isso ele trouxe sofisticação ao estilo 80's rocker que vem fazendo na Balmain. No lugar de rasgos, lurex. No lugar de militarismo, estampas barrocas, peles, franjas. Até alguns looks de alfaiataria foram vistos, junto com as ombreiras (será que já não era tempo de abandoná-las?). Senti falta de algo mais diferente. Mas o que importa é que, com a simples estratégia do conceito contrário, a Balmain vai continuar agradando suas consumidoras e todos os pobres mortais que sonham com suas peças de mais de 10 mil reais.


Balenciaga

O desfile da Balenciaga me remeteu sutilmente à Laranja Mecânica. Lançado no começo dos anos 70, a segunda maior obra-prima de Kubrick se passa em um suposto futuro. Um futuro imaginado, porém, com um pouco da estética do tempo real em que o filme foi rodado. Nicolas Ghesquière juntou justamente os anos 70 e o futurismo nesse desfile. Embora a idéia seja a mesma, Ghesquière manteve sua originalidade através de suas formas conhecidas (como as calças sequinhas) e através da incrível mistura de tecidos e texturas novas, provando que o futuro definitivamente é das inovações têxteis.


Dries Van Noten

Mal começou a Paris Fashion Week e a praticidade das "roupas da vida real" já se faz presente também na capital da moda. Dries Van Noten, com peças clássicas, modelagens soltas, comprimentos longos e uma cartela de cores séria trouxe, inicialmente, o que não é nada novo pra nós. O desfile cresceu na segunda parte, quando o estilista misturou estampas e texturas e quando substituiu os tecidos opacos pelos brilhosos. Nessa etapa os looks continuaram práticos, porém ganharam "interessância". É incrível o que um pouco de brilho pode fazer, não é mesmo?