
Um dos assuntos mais debatidos atualmente é a crescente importância das redes de Fast Fashion na indústria da moda. Com a consolidação do estilo hi-lo, elas ganharam utilidade para a moda enquanto conceito. Antes desprezada pelas líderes de opinião, hoje essas lojas estão praticamente livres do preconceito, embora ainda não possuam o mesmo nível de qualidade e inovação criativa das grandes marcas.
Um dos maiores trunfos atuais das lojas de departamento, além do preço acessível e da grande variedade de peças, é a capacidade que elas possuem de se apropropriar das tendências e colocá-las à venda antes das marcas tradicionais. É possível até mesmo que certas peças muito desejadas sejam encontradas exclusivamente nessas lojas, como a meia-calça de poás e a meia-calça de corações da Renner. Os desfiles de moda internacionais acontecem muito tempo antes do lançamento da coleção comercial. Assim, as lojas de fast fashion (do exterior e, mais recentemente, do Brasil) se aproveitam disso, conseguindo satisfazer os desejos dos consumidores muito antes das grifes.
Infelizmente, no meio desse processo, muitas cópias são feitas, muitos conceitos cuidadosamente pensados são roubados e os consumidores fashionistas se calam diante dessa falta de ética. É preciso distinguir tendências de peças. Tendências são subjetivas, normalmente resgatadas de algum lugar do passado e acessíveis a todos. Peças são fruto direto da criação de alguém e possuem características específicas. Um vestido rosa-chiclete de babados (péssimo exemplo hahaha) não é uma tendência, mas a cor rosa-chiclete ou o elemento "babados" podem ser. Mas não pretendo me alongar nesse assunto polêmico.
Um outro trunfo das redes de fast fashion é a publicidade. Particularmente no Brasil, elas parecem ter acordado e percebido que suas lojas também são marcas de moda e que, por isso, precisam de identidade, coerência, marketing e de publicidade. Elas estão investindo, desse modo, em uma estratégia de aproximação com a própria moda, participando de eventos como o SPFW, patrocinando sites e blogs e realizando parcerias com nomes representativos na moda nacional. Enquanto as grifes geralmente são mais reservadas, as redes de fast fashion buscam a identificação de seu público-alvo, ou a parte dele que é diretamente ligado à moda.
Por fim, o sucesso também se deve a cada vez mais forte valorização do street style. Sabemos que o valor das passarelas é e ainda será muito forte. Entretanto, cada vez mais a importância vem sendo dividida com a moda das ruas, seja lançada pelas celebridades, seja por pessoas comuns. Lojas de departamento sabem se apropriar desse estilo melhor do que qualquer outra marca por tradição, mesmo que esse não seja seu posicionamento.
As redes de fast fashion estão em constante ascensão. Se é oportunidade de momento, ou se isso irá durar, acredito que só o tempo poderá dizer. Mas enquanto a queda não acontece, os consumidores e essas lojas se aproveitam do cenário mais favorável a elas de todas a história da moda.







