
Desde que foi criada a primeira revista feminina (thanks, Aline), em 1693, ela sempre foi o principal meio de informação de moda no mundo. A revista é o meio impresso de melhor qualidade estética, principalmente se comparada ao jornal. E como a estética é essencial para a moda, a revista é um meio ideal. Ela permite tranqüilamente que textos e imagens transmitam informações. Essas últimas são parte fundamental de qualquer revista de moda ganhando, às vezes, uma maior relevância que o texto. Essa imposição da imagem sobre o texto acontece praticamente apenas com o campo da moda, uma vez que moda é um tipo de imagem.
Com o surgimento da televisão, em 1939, a moda via novas formas de comunicar sobre si mesma, dessa vez podendo até ser mostrada em movimento. No entanto, a consolidação desse tema na televisão nunca ocorreu. Acontece que a televisão, ao contrário da revista, encontra pouco espaço para a segmentação. E a informação de moda é um dos vários campos que são preteridos pelos telespectadores em geral. Atualmente, a tv por assinatura mostra sinais de um verdadeiro acervo de revistas eletrônicas, onde estão dispostos canais sobre os mais variados assuntos. Talvez a moda ainda se consolide nesse meio, através de canais como o Fashion TV. Mas teremos que esperar pra ver.
Enquanto isso, o surgimento de um meio também recente vem inovando e transformando consideravelmente a informação de moda. Sim, estou falando da internet. Meio extremamente efêmero, a internet, especialmente a web 2.0, assume o papel de ser o maior acervo de revistas virtuais da história. Além disso, ela permite um nível nunca antes visto de interatividade. A recepção da informação passa a ser, quase sempre, 100% ativa. Esse meio também é capaz de oferecer ainda mais segmentação do que as revistas impressas. Em suma, a internet reúne as principais vantagens de todos os outros meios, pelo menos para o campo da moda.
Mas será que isso significa que as revistas não serão mais importantes? Eu duvido muito. Acho que a tendência é uma cada vez maior hibridação dos meios em todos os campos, inclusive na moda. A própria internet apresenta ferramentas propícias à hibridação dos meios, como o Youtube, por exemplo. Além disso, duvido muito que um meio como a revista, que possui tantos anos de tradição, vá acabar. Ele ainda possui extrema importância como meio oficial e de relativa credibilidade. Paralelamente, os vídeos, seja na tv por assinatura ou na própria internet, estão mantendo o interesse do espectador e complementando informações dos meios impresso e virtual.
Entretanto, é preciso ressaltar que a internet, por toda sua efemeridade, é um meio imprevisível e muitas vezes incontrolável. A informação acaba, portanto, adquirindo essas mesmas características. A descentralização da informação só traz vantagens, desde que venha sempre acompanhada do bom senso e do senso crítico.